O que é o tecnoestresse?

Com o trabalho à distância e o aumento do uso de tecnologias, uma nova questão merece atenção especial de empresas e colaboradores. Afinal, o que é o tecnoestresse?

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Chegamos ao final de um ano atípico e muito difícil, com boa parte do mundo entrando em uma segunda onda de casos da Covid-19. Com isso, até mesmo aqueles que haviam retornado às saídas de casa com alguma frequência, têm à frente a perspectiva de volta à quarentena. Esse aumento do tempo em casa e em frente às telas, sejam elas de computadores ou celulares, também tem aumentado a incidência de estresse tecnológico e sobrecarga o uso de tecnologias entre a população de diferentes faixas-etárias. Embora a conectividade venha salvando milhões de empregos na pandemia, permitindo que as pessoas trabalhem com segurança em suas casas, o tecnoestresse está aumentando.

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Definido como estresse resultante do uso excessivo de tecnologias de informação e comunicação (TIC), o tecnoestresse traz como principais sintomas a dificuldade de concentração e a ansiedade. Pesquisa realizada pela Universidade de Melbourne avaliaram os principais fatores que levam ao tecno-estresse. Segundo os pesquisadores, mesmo os profissionais que já estavam acostumados a utilizar a tecnologia intensamente podem apresentam o problema.  

Problemas associados ao estresse tecnológico

Sobrecarga tecnológica

A presença de tecnologias faz com que as pessoas trabalhem mais e mais rapidamente. Com a sobrecarga de informações, múltiplas fontes de tecnologia produzem grandes quantidades de informações. Essa situação faz com que os trabalhadores se sintam compelidos a gerenciar e responder. Quando trabalhando à distância, muitos colaboradores relatam ter que monitorar e responder e-mails de trabalho, além de estar disponíveis por meio de aplicativos de mensagens instantâneas, como whatsapp. Além das interrupções frequentes, há o receio de deixar passar mensagens importantes.  

Invasão tecnológica

Ocorre quando os colaboradores percebem que o trabalho em casa passa a interferir em sua vida pessoal, pois os dispositivos usados ​​para a comunicação privada são os mesmos utilizados ​​para a comunicação de trabalho. Por conta da pandemia, tornou-se mais difícil desligar os aparelhos ao final da jornada de trabalho. Além disso, não há mais um departamento de TI para oferecer suporte em caso de problemas com os dispositivos. Agora, em casa, cada indivíduo sofre a insegurança e a incerteza quanto à sua competência tecnológica e capacidade de resolução de eventuais problemas técnicos, tendo que lidar com problemas de conectividade, muitas vezes fora de seu controle. É o caso, por exemplo, do colaborador que não comparece a uma reunião pois não conseguiu se conectar. Essa situação pode trazer culpa e vergonha por não ter conseguido resolver a questão a tempo.  

Como lidar com o tecnoestresse?

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer o tecnoestresse e saber que ele pode surgir em locais de trabalho que dependem ou não de tecnologia, especialmente durante a Covid-19. Da mesma forma, afeta trabalhadores com qualquer nível de habilidade tecnológica. Nas organizações, é preciso oferecer treinamento e monitorar a confiança dos indivíduos que trabalham à distância à medida que novas tecnologias são introduzidas. Ainda, novas tecnologias não devem ser introduzidas apenas por capricho de gerentes individuais ou líderes de equipe. E lembrar que o estresse tecnológico afeta trabalhadores de forma diferente, portanto as medidas adotadas devem ser individualizadas. A personalidade, por exemplo, é um fator que pode influenciar no estresse tecnológico, impactando significativamente a maneira como as pessoas recebem e processam as informações. Alguns trabalhadores com personalidades proativas lidam bem com a sobrecarga e prosperam em situações que poderiam causar estresse tecnológico em outras pessoas. Da mesma forma, há aqueles que apresentam personalidades extrovertidas e não se incomodam com as interrupções por meio de chamadas ou mensagens.  

Mudanças de hábito

Nas constantes discussões sobre como os hábitos no local de trabalho serão alterados após a Covid-19, com a dúvida sobre continuar trabalhando à distância ou não, é também preciso avaliar e prevenir a incidência do estresse tecnológico. A questão que precisa ser resolvida é: como continuar trabalhando em casa, com suporte adequado para o bem-estar do colaborador? É possível colher todos os benefícios das tecnologias que oferecem suporte ao trabalho flexível, utilizando as diversas ferramentas a seu favor.

Fonte: GeoVictoria - Foto: StartupStockPhotos para Pixabay

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